Objetivo e justificativa
Com a Pandemia do novo Covid 19, o ensino remoto tornou-se uma realidade não apenas na educação brasileira. Pelo mundo afora os sistemas de ensino têm buscado meios de dar continuidade às atividades escolares, por se entender a educação como direito de todos(as).
Um dos aspectos do ensino remoto ou em plataformas digitais que talvez seja um dos maiores desafios da educação, é a alfabetização das crianças, principalmente por se considerar que a presença dos professores(as) e dos(as) companheiros(as) de turma, são essenciais para que esta aprendizagem se realize, isso por se entender que a interação é condição central, porque promove a troca de conhecimentos e significados. A presente ação formativa teve início com o levantamento junto aos professores(as) alfabetizadores(as) de temas pertinentes ao atual contexto em relação à alfabetização, seguido de uma categorização, possibilitando às formadoras partir dos anseios do grupo.
Na direção de atender às necessidades da Rede de Ensino de Poços de Caldas, a ação formativa partirá de questionamentos feitos pelos professores(as) já encaminhados à SME, possibilitando a interlocução com as formadoras que apresentarão exemplos de práticas pedagógicas que potencialmente podem contribuir para a ação cotidiana na escola, com as turmas de alfabetização.
Metodologia
A ação formativa se realizará dentro da perspectiva dialógica em que formadoras e participantes trocam conhecimentos e experiências, sem desconsiderar a problematização dos conhecimentos prévios dos professores(as) e a contribuição em termos teóricos e práticos das formadoras, possibilitando acréscimos e trocas de conhecimentos didáticos pedagógicos.
Carga horária
2 encontros formativos, em forma de live, para educadores das escolas municipais de Poços de Caldas, a saber:
20/10/2020 - Terça-feira
às 19:30
Público Alvo
Professores(as) alfabetizadores(as) e equipes gestoras que atuam nos 1º e 2º Anos do Ensino Fundamental.
1ª TURMA
22/10/2020 - Quinta-feira
às 19:30
Público Alvo
Professores(as) alfabetizadores(as) e equipes gestoras que atuam nos 3º  Anos do Ensino Fundamental.
2ª TURMA
Para ter direito de participar da LIVE e receber o certificado é necessário fazer a inscrição até dia 20/10/2020 às 19h.
O acesso a LIVE ficará disponível a partir das 19h15 do dia 20 e 22/10/2020, no portal Tok Digital.
O que é possível fazer para alfabetizar e letrar as crianças no ensino remoto
Até o final dos anos 70 tanto o Censo Escolar quanto as avaliações externas estavam preocupados com o domínio da alfabetização, era suficiente que as pessoas escrevessem seus nomes, algumas palavras e conseguissem ler instruções básicas, seguir orientações e acompanhar pequenos textos. A partir dos anos 80 a UNESCO propôs que as avaliações internacionais, no domínio da leitura e escrita, medissem além de capacidade para ler e escrever. Nessa mesma direção, França e EUA se dão conta que a população não domina habilidades de uso da escrita embora dominem a alfabetização.
 
Com essa constatação começa a surgir nos meios acadêmicos a progressiva invenção do letramento – necessidade de reconhecer e nomear práticas avançadas e complexas de leitura e escrita. Desde então, os documentos curriculares passaram a incluir no ensino da Língua Portuguesa tanto conhecimentos ligados à conquista da base alfabética, quanto aqueles relacionados à leitura e escrita e ao domínio progressivo dos gêneros de texto que circulam socialmente.
Atualmente acredita-se que é preciso desenvolver o letramento das crianças desde as escolas de educação infantil, com atividades de leitura e escrita que façam sentido para elas (leitura de histórias, comunicação por bilhetes, registros de experiências, escritas como auxiliares da memória etc). Além disso, também é necessário envolver as crianças em atividades de reflexão do sistema alfabético para que se dêem conta que a escrita representa o sons das palavras e de que maneira isso acontece. Isso significa trabalhar de forma integrada com o letramento e a alfabetização das crianças.
Contribuição das Formadoras
Sonia Madi
Tenho uma longa experiência na construção de uma didática para o desenvolvimento do letramento e da alfabetização de crianças, elaborando materiais, dando assessoria e formação para professores. Atualmente tenho refletido e dialogado com educadores sobre caminhos possíveis no ensino remoto para trabalhar essas mesmas competências. Em tempos de pandemia tenho feito, junto com um grupo de educadores, algumas atividades (via celular e vídeo de WhatsApp) com crianças em fase de alfabetização e as respectivas orientações para familiares que se disponham a colaborar com elas no momento dos encontros.
Com base nessa experiência o grupo tem encontrado saídas para esse trabalho que se referem tanto ao tipo de atividade que é possível enviar às crianças e que garantam que a escrita tenha uma função social (letramento), quanto outras que inserem as crianças no mundo das letras e dos sons (alfabetização) somadas às orientações para os familiares que assumiram a função de orientadores dos filhos. O elo familiar, vindo de irmãos mais velhos, avós, amigos, vizinhos, ou de quem está disponível para colaborar com as crianças, têm se mostrado essencial para que a aprendizagem aconteça.
Meu objetivo é compreender as ansiedades e pressões dos professores nesse momento e colaborar com eles na condução do ensino remoto. Para isso é necessário conhecer quais as iniciativas da Secretaria de Educação para viabilizar o ensino remoto, como o trabalho pedagógico tem sido conduzido, quais as dúvidas dos técnicos que se ocupam da área de alfabetização? Então, me disponho a ter uma conversa com esses técnicos para levantar essas questões e planejar um diálogo com os professores sobre suas práticas e a colaborar no planejamento e realização do trabalho com os alunos e com os pais.
Maria Helena Bertolini Bezerra
Gosto de iniciar minha apresentação dizendo que sou professora. A minha atuação na rede municipal de ensino de São Paulo, se deu predominantemente como professora dos anos iniciais do ensino fundamental, com o ensino da alfabetização. Por entender que alfabetizar não é somente ensinar e ajudar as crianças na descoberta do funcionamento do sistema de escrita e na aquisição da capacidade de ler e escrever, é que exerci meu trabalho no sentido de contribuir para que os estudantes pudessem compreender o mundo de hoje organizado por meio da escrita (acesso ao conhecimento), processo constituído por atribuição e negociação de significados no meio social.
Não desconsidero outros conhecimentos presentes e produzidos nos mais variados meios sociais, mas não tenho dúvidas de que ler e escrever é um direito de todos e todas.
As pesquisas acadêmicas as quais desenvolvi durante os anos de estudo de pós graduação, seguiram na mesma direção das minhas práticas de sala de aula, ensejando compreender os processos de ensino da alfabetização, especialmente da leitura.
Feitas estas considerações, entendo que a ação formativa junto aos professores(as) de Poços de Caldas, dos anos iniciais do ensino fundamental, buscará em suas próprias práticas cotidianas, em seus saberes de experiência, assim como em suas indagações a respeito do ensino remoto e das possíveis aprendizagens das crianças, tomar as dúvidas como possibilidade de encontrar os caminhos que garantam o direito às crianças de se alfabetizarem mesmo em um contexto tão adverso como este pelo qual todo país vem passando com a Pandemia do Covid 19.

Secretaria Municipal de Educação